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  Pedro Leal | N5 para evoluir naturalmente
   

APPA, Associação Portuguesa de Pilotos Automóvel,  defende a introdução das viaturas N5 nos ralis nacionais.

Com a decisão da FPAK sobre a introdução das viaturas de categoria N5 nos ralis nacionais a chegar dentro de dias, o Rali Fórum Noticias foi falar com Pedro Leal, o responsável pela área de ralis dentro da APPA. Fique a  conhece a posição oficial da associação e o porquê de defender a introdução desta categoria nos ralis nacionais.

Rali Fórum Noticias - Em primeiro lugar, e para enquadrar o tema, pedia-lhe que nos explicasse qual foi necessidade, em termos de categorias, custos e evolução de pilotos e equipas que a APPA detetou ao nível no CNR? 
Pedro Leal  -
A APPA defende, como sempre defendeu, que os campeonatos em Portugal devem ter uma escada, nomeadamente de custos, que permita a evolução de uma carreira desportiva sem obrigar os pilotos e demais intervenientes, patrocinadores, equipas, etc, a dar "saltos de gigante" para poder competir. Atualmente, desde o desaparecimento dos Grupo N, um piloto que queira evoluir de um 2 rodas motrizes apenas tem a opção de ir para um R5. Estamos a falar de um orçamento pelo menos 3 vezes superior. A grande maioria dos pilotos nacionais não consegue atingir esse tipo de orçamentos. Este problema não é só de Portugal, é internacional. Tanto é que a própria FIA está a tentar uma possível solução por intermédio dos R4.

Rali Fórum Noticias - Estando essa necessidade identificada qual a sugestão que a APPA fez à FPAK? 

Pedro Leal - Não foi bem assim que a situação se passou. A necessidade está reconhecida há já muito tempo. O que aconteceu é que surgiu na FPAK o pedido da aceitação da classe N5 por parte de um construtor espanhol (RMC), com vista a criar um troféu. Depois de analisar em profundidade esta classe, nomeadamente o tipo de carro proposto pela RMC, e de termos falado com vários intervenientes, chegámos à conclusão que seria uma boa forma de tentar colmatar esta falha no panorama nacional. De modo algum defendemos que sejam especificamente os carros da RMC a ser aprovados em Portugal. O que defendemos é a criação de uma classe que permita que esse tipo de carros possa disputar os campeonatos em Portugal. Qualquer construtor de carros de competição que o pretenda, pode construir o seu N5 com base nos regulamentos que a FPAK criar (nacional ou internacional).

Rali Fórum Noticias – Uma vez que a vossa proposta passa pela introdução dos N5 em Portugal, pedia-lhe que explicasse um pouco o que são os N5 e qual a referência utilizada?

Pedro Leal -  Em suma, os N5 são carros com uma mecânica 1.6 Turbo 4x4, montados em carrocerias de carros de série, tendo em vista um grande controlo de custos quer no momento da compra, quer com a sua utilização. São compostos por um kit base, mangas de eixo, transmissões, carcaças da caixa e relações diferenciais, e por outros componentes amplamente disponíveis no mercado. No que toca à referência utilizada, apesar de o estudo ter sido feito com base no que existe em Espanha, importa adequar à realidade e necessidades nacionais.

Rali Fórum Noticias –  Sabendo que os N5 são viaturas de homologação local e sem homologação FIA, não seria mais interessante a introdução dos R4, que são viaturas com homologação FIA e que em teoria cobrem o espaço aberto no CNR entre os R3 e os R5? 

Pedro Leal -  Esse é o grande erro de análise que tenho visto a ser feito. Está a colocar-se a questão como N5 vs R4 vs R5. São produtos completamente diferentes em toda a linha. De uma forma simples, um N5 (no formato que defendemos) custa à volta de 130.000. Um R4 ronda os 190.000 e um R5 ainda mais. O cliente de um N5 é totalmente diferente de um do R4 e do R5. Não passa apenas pela questão do custo por km mas também pela capacidade financeira de suportar um investimento de quase €200.000 à cabeça. É inquestionável que quem quiser e puder pensar em potencial de revenda ou nos mercados FIA optará pelo R4, e terá certamente um excelente produto. A questão que os R4 não resolvem é a dos pilotos que não conseguem atingir esse nível de investimentos. Não se pode pensar apenas em pilotos que pretendem vir a ser campeões nacionais. Há variadíssimos pilotos que sabem que só conseguem chegar a projetos mais modestos devido a não conseguirem capitais próprios ou apoios que os levem mais longe. Esses nunca serão o cliente do R4. Que fique claro: A APPA defende a chegada dos R4 tal como a dos N5. No nosso ponto de vista são produtos que se completam, não concorrentes.

Rali Fórum Noticias –  Pelo exemplo que temos de Espanha existem N5 com níveis de evolução totalmente diferente, o que pode levar a uma variação bastante acentuada de performance, na vossa proposta como seria feito este equilíbrio?
Pedro Leal -   A ideia não é que consigam enfrentar os R5. Isto é extremamente importante que se entenda. Quem quer ganhar provas e ganhar campeonatos, em circunstâncias normais, terá que o fazer utilizando a principal classe do nacional, os R5. O conceito dos N5 que defendemos para Portugal é um carro que assumidamente não vai ganhar provas. Permite é a pilotos que não querem continuar (ou voltar) para os 2WD ter uma alternativa 4x4 que seja atingível com os seus orçamentos. O regulamento N5 em Espanha permite alguma liberdade no que toca ao nível de preparação dos motores e aos turbos utilizados. É a nossa convicção, para não colocar os N5 fora do posicionamento que anteriormente descrevi, que os motores utilizados devem ser de série, bem como os turbos. Esta é uma das razões que nos fazem falar da versão da RMC. Tanto quanto apurámos, a única alteração que é feita aos motores é na utilização de bielas e pistões forjados, semelhantes aos de origem apenas para maior fiabilidade. Os turbos são turbos de carros de série, que se encontram em qualquer lado. O turbo que defendemos deverá ter restritos 34, como em Espanha, que colocará os carros no nível correto, a cerca de 2 a 3 segundos por km mais lentos que os R5, como se vê em Espanha com os carros de base da categoria N5. Outro ponto importante é não incluir a possibilidade de evoluções de performance, os chamados  jokers.  A possibilidade de evolução deve estar restrita a questões de segurança. Assim sendo, junto com uma estabilidade de regulamentação prolongada, poder-se-á garantir que esta classe é efetivamente implementada no patamar que nós defendemos em Portugal. Qualquer que seja a solução encontrada, deverá priorizar o espírito das restrições que tinham os antigos grupo N. Caso contrário, rapidamente estaremos confrontados com custos similares ao patamar dos R4, o que certamente não é o objetivo. 

Rali Fórum Noticias – Poderiam as viaturas N5 correr as provas internacionais do CNR, à semelhança do que acontece com os Maxi Rally (N5) Argentinos, que fazem o CODASUR e correm o Rally da Argentina? 

Pedro Leal -   Não vejo porque não. O João Fernando Ramos disputou o Rali da Catalunha 2017 que pontua para o Campeonato do Mundo de Ralis num N5. A Copa N5 vai disputar esta prova este ano. Porque seria diferente aqui?

Rali Fórum Noticias - Na opinião da APPA, que ganhos em termos de envolvimento de marcas poderia ter a introdução dos N5 em Portugal? 

Pedro Leal - Basta pensar que, pelo facto de abrir a porta à participação de outras marcas, os pilotos ficam com mais portas onde bater para apresentar os seus projetos. O envolvimento das marcas não poder ser exclusivamente pensado em equipas oficiais ou apoios dos importadores. Em Portugal temos vastas redes de concessionários que poderão eventualmente apoiar este tipo de projetos com custos mais conservadores do que as opções que atualmente existem. Muitas marcas não estão envolvidas nos ralis pois não dispõem de viaturas base para a construção de 4x4. Com os N5 passam a poder. Fazendo uma análise justa, este argumento utilizado na comercialização dos R4 aplica-se exatamente da mesma forma aos N5.


 

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