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Mário Castro | "Feliz e agradecido"
   

Depois de algum tempo de ausência o Q&A do Rali Fórum Noticias está de volta. Hoje  passamos para o lado direito do carro e falamos com Mário Castro, um dos mais proeminentes navegadores dos ralis nacionais.

Tendo iniciado a sua carreira em 1994 o co-piloto do Fafe é hoje me dia uma referência entre os seus pares. Ai mais alto nível há vários anos Mário Castro partilha com o Rali Fórum Noticias experiencias, histórias e opiniões sobre os ralis.

Rali Fórum Noticias - Estás nos ralis há praticamente 20 anos (ndr. Em 2014 Mário Castro completa 20 anos de atividade),  que balanço fazes da tua carreira?
Mário Castro - Tenho realmente uma carreira bastante longa nos ralis e na qual tive muitos pontos altos e outros pontos até desoladores que quase me fizeram colocar um ponto final na mesma, mas apesar de tudo sinto-me muito orgulhoso e agradecido por tudo o que fiz nos ralis. Por isso, só posso fazer um balanço positivo ao fim destes 19 anos. É verdade que não atingi nem metade daquilo que gostaria de atingir em termos de resultados e que também ainda não consegui fazer um programa internacional apesar de já por diversas vezes ter estado muito perto de o fazer, mas como em tudo na vida e no desporto em particular é necessário estar no lugar certo á hora certa e infelizmente isso ainda não me aconteceu. 

Rali Fórum Noticias - Tiveste o prazer de navegar grandes pilotos, de fazer grandes ralis, de estar em excelentes carros. Qual prova e o carro que mais te marcaram até hoje? Porquê?
Mário Castro - Numa carreira em que já fui co-piloto de 24 pilotos, andei em 29 diferentes carros ao longo de 186 ralis é muito difícil responder a esta pergunta. Ainda assim relativamente aos pilotos com quem andei tenho o grande prazer de me ter dado bem com todos eles e de sempre ter sido respeitado nas equipas por onde passei, aprendendo muito com todos eles, devendo-lhes por isso toda a minha carreira. Quanto ao rali que mais me marcou terei de responder pelo menos três. Em primeiro lugar o meu rali de estreia porque foi o concretizar de um sonho, depois o rali de Esposende de 1995 no qual conquistei a minha primeira vitória á geral, e talvez o mais importante ou pelo menos o mais emocionante, foi o rali de Portugal de 1995 em que nem queria acreditar que estava naquela prova a passar nas classificativas de Fafe. Lembro-me que quando entrei para a especial da Lameirinha nem queria ditar notas. Apenas me apetecia ir dentro do carro a apreciar a especial. Ditei as notas é claro, mas completamente desconcentrado, mas ao mesmo tempo sem pressão porque o piloto era de Fafe e “não precisava” de notas para nada. Foi um momento único e do qual me orgulho pois na altura ainda era o “verdadeiro” rali de Portugal. Quanto ao carro que mais me marcou seria fácil dizer que foi o Skoda Fábia S-2000 ou o Peugeot 207 S-2000 porque foram de facto os melhores carros em que corri, mas gostei muito do Renault Clio Williams de Gr-A (ex- Renault oficial) que corri em 1995 pois era um grande carro de ralis na altura e permitia uma condução agressiva e muita “diversão” ao longo das especiais.

Rali Fórum Noticias - Por certo tiveste momentos inesquecíveis ao longo da tua carreira, algum em particular que gostasses de partilhar?
Mário Castro - Tive muitos bons momentos na minha carreira, mas para poder ser sincero na minha resposta há infelizmente um que se sobrepõe a tudo de bom que conquistei e que ainda hoje não consigo passar um dia sem pensar nele. Foi a minha pena suspensa por resultado positivo no controle anti-doping em 2008 e que se fosse hoje não seria penalizado uma vez que o medicamento que estava a tomar já não consta na lista de substancias proibidas. Não posso afirmar que viria a ter uma carreira melhor sem este acontecimento, mas uma coisa é certa, tudo aquilo que eu trabalhei e dei da minha vida para alcançar o topo nos ralis ruiu completamente e por muito que possa ainda vir a conseguir no futuro, aquilo que perdi com essa situação nunca mais irei recuperar. 

Rali Fórum Noticias - Olhando para o futuro,  que ambições ainda tens neste desporto?
Mário Castro -  As minhas ambições são as mesmas que tinha á 19 anos atrás. Tentar chegar o mais longe possível na carreira, se possível com um projeto internacional,  mas acima de tudo continuar a ser respeitado e reconhecido pelos pilotos, mecânicos, adeptos deste desporto conforme sinto que tenho sido durante todos estes anos por todo lado onde passei.

Rali Fórum Noticias - É verdade que ditar as notas é o trabalho mais simples que um co-piloto tem durante uma  prova?
Mário Castro - Não digo que seja o trabalho mais simples. É realmente um trabalho de muita responsabilidade, mas ser navegador passa por muito mais coisas que o “simples” ditar notas. Agora que nos dias de hoje está bem mais simplificado aprender a ditar notas para quem começa a carreira de navegador, isso está. Quando comecei a correr, um candidato a navegador não tinha praticamente vídeos on-board de equipas de ralis para ver e por isso era praticamente impossível a essa pessoa ter uma noção de como se deveria ditar as notas de andamento, tendo por isso de escolher o seu estilo. Devido a isso, se reparar os navegadores mais antigos têm formas de ditar as notas completamente distintas uns dos outros e aí sim, via-se quem nascia com o dom para ditar notas ou não. Hoje em dia existem muitos vídeos on-board e isso facilita as coisas para quem começa, ao ponto de haver navegadores que quase se limitam a imitar um ou outro navegador qualquer que eles gostem mais. 

Rali Fórum Noticias - Estando nos ralis há tantos anos, como vês o momento atual dos ralis em Portugal?
Mário Castro - Antes demais temos de ter a noção de que é impossível á FPAK e clubes organizadores agradarem a todos os pilotos e por isso haverá sempre quem goste e quem não goste do momento atual dos ralis em Portugal. Não concordo com muita coisa que está em prática nos ralis em Portugal mas que não interessa estar aqui a falar delas porque; primeiro ninguém daria ouvidos, e depois, porque só fazia sentido dar a minha opinião (como aliás já o fiz várias vezes) á entidade reguladora do automobilismo Nacional (FPAK) e até hoje nunca obtive uma resposta sequer, se concordavam ou não com a minha ideia. Agora uma coisa é certa, enquanto os pilotos e navegadores continuarem a querer sugerir regulamentos que vão sempre de encontro aos seus interesses particulares, que é o que acontece na grande maioria das opiniões que leio e oiço dos mais diversos pilotos, este desporto nunca terá um futuro muito risonho.

 

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